O Fim da Primeira Etapa e a Preparação para a Segunda

O Fim da Primeira Etapa e a Preparação para a Segunda

Em dezembro de 2018, após cerca de 150 dias viajando resolvemos que nossa viagem pelo Brasil já havia servido ao seu propósito e entendemos que era tempo para encerrá-la e nos preparar para a próxima etapa, que seria o início da fase internacional.

Não que quiséssemos parar mas o objetivo dessa volta pelo Brasil, que começou inicialmente com uma idéia de durar três meses e acabou durando cinco, era de testarmos o carro e a nós mesmos na estrada antes de desbravarmos o mundo.  Poderíamos continuar pelo Brasil mais algum tempo, mas já tínhamos chão o suficiente para entender que o que precisaríamos para encarar resto do mundo era pouco e que já podíamos iniciar essa outra fase.

Além disso, havíamos pensado em passar as festas do mês de dezembro com nossas famílias pois muito em breve ficaríamos privados do convívio e seria importante, tanto para nós quanto para eles, ficarmos um pouco mais de tempo juntos antes da nova partida.

Decisão tomada, retornamos a São Paulo no início de dezembro e definimos que neste mês trabalharíamos nos pequenos ajustes do carro e no planejamento mais detalhado da próxima etapa, além de dividir o tempo entre Rio de Janeiro e São Paulo visitando nossos parentes e amigos.

Em nossas reflexões o resultado dessa primeira fase-teste foi extremamente positivo.

Havíamos rodado mais de vinte e quatro mil quilômetros e o Roots não havia apresentado nenhum problema mecânico que nos preocupasse.  Vale frisar que apesar de novo, fizemos uma manutenção preventiva adequada e tivemos muito cuidado ao guiá-lo pelo Brasil e isso foi indispensável para uma excelente performance do nosso companheiro de viagem.

Nosso “espírito de viajante” rapidamente floresceu internamente e em pouco tempo já estávamos completamente adaptados a esse novo estilo de vida.  Já havíamos, também, nos desapegado de muitas coisas e muitos hábitos da vida que tínhamos anteriormente.

Mais importante, nossa convivência o dia todo e todos os dias estava muito harmônica. Longe de ser complicado como muitos poderiam pensar, nossa rotina do convívio integral foi muito agradável e esse período deixou nossos vínculos ainda mais fortes. 

Também nos tornamos mais flexíveis e tolerantes. Isso não significou que não tenhamos brigado ou discutido vez ou outra, nem que nossas personalidades fortes não tenham se manifestado por vezes na viagem mas ficamos muito mais parceiros um do outro.  Não, não viramos monges nem seres de outro planeta, só vivemos mais leves..

Outro resultado positivo dessa primeira etapa foi nossa expectativa de gasto.  O resultado que nosso controle financeiro apresentou nos surpreendeu e mesmo sem grandes restrições acabamos gastando menos do que gastávamos em nosso estilo de vida anterior e menos do que planejamos, ficando bem abaixo da meta que havíamos traçado.

Enfim, os únicos itens que julgamos necessários ajustar para nossa próxima etapa eram (i) a abdicação de levar conosco as bicicletas, (ii) o consequente aumento das caixas superiores para levarmos em cima do carro alguns itens que ocupavam espaço no seu interior, (iii) a redução da quantidade de roupa que levaríamos, (iv) a repintura do bagageiro que estava começou a descascar com pouco tempo de viagem, (v) uma melhora na disposição de nossa “casa de energia” para ganharmos mais acessibilidade em caso de eventual problemas e, por fim, (vi) uma revisão em nossa barraca de teto.

Planejamos fazer tudo isso em dezembro mas infelizmente não tivemos sucesso absoluto.  Por conta de alguns imprevistos tivemos que estender nossa parada estratégica em São Paulo por mais alguns dias e, depois, por mais algumas semanas e acabamos decidindo partir apenas no começo de Fevereiro.

Nossas caixas maiores não ficaram prontas a tempo, após a revisão a barraca de teto apresentou um pequeno vazamento e nossa parte elétrica apresentou um problema que tivemos que refazê-la praticamente por completo.

Como acreditamos que nada acontece por acaso, apesar de uma certa frustração inicil e momentânea, ficamos felizes que tudo isso tenha acontecido enquanto ainda estávamos no Brasil e, assim, tivemos a oportunidade de ajustar tudo com calma e com os fornecedores que escolhemos no início do projeto e que sempre confiamos que não nos deixariam na mão.

Tivemos assim quase dois meses para fazer tudo que queríamos e pudemos até mesmo ficar mais tempo com os familiares e amigos, além de fazermos upgrades no Roots, em nosso planejamento e na nossa página da internet.

Decidimos então que nossa viagem de volta ao mundo seria feita em etapas de agora em diante e que ao final de cada uma delas faríamos um balanço para avaliação.

A primeira etapa permaneceu a mesma e exploraremos a América do Sul sem prazo pré-determinado.  Temos uma idéia de roteiro mas que também será super flexível e aberto a constantes mudanças.

Iremos de São Paulo até as cataratas em Foz do Iguaçu e sairemos do Brasil pela fronteira tríplice, atravessando a região das missões no Paraguai e passando pelo Uruguai antes de reentrar na Argentina e ir em direção Ushuaia.  Nossa estimativa inicial é que essa segunda etapa de nossa viagem dure cerca de um ano e que pelo menos até Julho fiquemos circulando entre a fronteira da Argentina e Chile.

Pelo Instagram e pelos próximos relatos que postaremos nessa página registraremos as imagens e histórias dessa viagem que estamos amando.

EnglishFrenchGermanItalianJapanesePortugueseSpanish