O Centro do Centro do Brasil

O Centro do Centro do Brasil

A primeira parte de nossa viagem foi para a região central do Brasil. Após um percurso que durou 2noites e 3 dias, atravessamos os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e de novo Goiás até chegarmos à Chapada dos Veadeiros.

O trecho de estrada foi cansativo: uma reta sem fim e muito calor. Mas foi bastante interessante pois à medida que fomos cruzando os Estados percebemos a mudança do entorno com as peculiaridades de das sub-regiões  de cada um desses Estados: São Paulo com a cana, Minas com a pecuária, Goiás com de soja e algodão…de comum mesmo só o calor infernal que nos atingira em pleno mês de Julho, enquanto recebíamos notícias do frio intenso de São Paulo.

Logo na chegada à Chapada, em Alto Paraíso de Goiás, pegamos o trevo e rumamos em direção ao Vale da Lua para conhecermos aquele lugar ímpar. Trata-se de uma sucessão de rochas que tem formas arredondadas e que pelos vãos existentes entre elas a água escorre abundantemente, formando quedas e pequenas piscinas naturais lindíssimas.

Foi um ótimo cartão de visitas da Chapada dos Veadeiros e uma excelente oportunidade para nos refrescarmos. Passamos parte da tarde por lá tomando banho e depois partimos à Vila de São Jorge, que fica alguns quilômetros mais à frente.

Lá chegando procuramos o Camping do Encontro, onde se aceita o pernoite com o carro, e organizamos nossas barracas de teto para ficarmos por duas noites com nossos amigos Ricardo/Camila e Beto/Dani/Rafa. Merecíamos um descanso depois de tanto rodar na estrada e resolvemos celebrar nossa chegada na Chapada dos Veadeiros com cerveja, uma saborosa Sidra vinda diretamente da Espanha e um delicioso churrasco noturno feito no porquinho do Beto (uma mini churrasqueira que aproveitamos muito durante a viagem).

Após um bom papo, fomos dormir em nossa barraca de teto. Acordamos no dia seguinte com a certeza de que nosso investimento valeu a pena; ela é espaçosa, confortável, ventilada e prática.

Tomamos o café da manhã e partimos para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros para fazermos um trekking. Escolhemos, dentre outras, a trilha dos saltos, que perfazia um total de 11km (ida e volta).

Caminhamos por um clima árido mas que a todo momento nos encantava. Não só a rústica vegetação típica do cerrado mas também as formações rochosas que circundam o Parque e, ainda, as corredeiras e quedas d’água fantásticas insistiam em nos surpreender com sua beleza. Bravamente a natureza resistia com uma singela beleza naquele clima seco, fazendo  nosso caminho uma demonstração da perfeição divina. Ao longo da trilha paramos para tomar diversos banhos de cachoeiras e contemplar as belezas do Parque.

Depois da trilha, que durou cerca de 6horas, retornamos para o camping, parando apenas para degustarmos um açaí delicioso que já nos atraíra no caminho de ida. Saímos de lá revigorados e após um banho armamos mais um churrasco noturno no famoso porquinho do Beto.

Na manhã do dia seguinte levantamos acampamento e partimos da Chapada dos Veadeiros para o estado do Tocantins, com destino ao Parque Estadual do Jalapão. Foram outras centenas de quilômetros por mais uma estrada reta e quente mas margeada por um relevo lindo e um verde intenso devido à abundância de água nesse estado.  Após várias horas na estrada, testemunhamos o sol recair sobre o o horizonte, transformando aquele verde em dourado num espetáculo à parte.

Já era noite ao chegarmos na cidade de Rio da Conceição e após uma rápida parada para pedirmos informações rumamos para o Camping da Lagoa. Uma estrada de areia fofa com cerca de 24km que nos permitiu fazer uma primeira aventura com o Roots num soft rallye noturno.

Ao chegarmos logo constatamos que éramos os únicos no local; nem a proprietária, nem ninguém que tomava conta da área, nem visitantes estavam por lá. Decidimos então nos estabelecer na parte externa do camping e pusemo-nos a armar nossas barracas de teto e a preparar o jantar, dessa vez um delicioso macarrão e saladas.

Àquela altura não imaginávamos a surpresa que teríamos no dia seguinte ao acordarmos e fomos dormir tranquilos e relaxados após mais um dia de longo deslocamento e algumas fotos das estrelas que enchiam aquele céu.

Ao acordarmos no dia seguinte ficamos pasmos com a vista que tínhamos. Entre o céu azul e a areia alva e fina repousava uma lagoa de água transparente e calma, rodeada por matas verdes e por montanhas ao fundo. Sem sabermos, havíamos descoberto o paraíso.

Além de tudo, éramos os únicos por lá e tomamos café da manhã calmamente com aquela natureza exuberante em nossa volta e fomos nos banhar na lagoa, contemplando aquilo que de mais rico e belo havíamos encontrado em nossa viagem até então.

Só depois de muito tempo chegou ao local o Seu João, que era a pessoa que tomava conta do local. Ele chegou à cavalo com seu filho por volta de umas 10hs da manhã. Havia nos dito que há 3 dias estava procurando um gado perdido e que por isso não estava ali quando chegamos. Enfim, descobrimos que era ele o guardião daquele paraíso.

Curtimos mais um pouco aquela beleza, acertamos o preço do pernoite e partimos. Por nós teríamos ficado mais alguns dias ali naquele Éden mas a programação do nosso grupo era de prosseguir até a Pedra Furada para pegarmos o por-do-sol naquele fim de dia, passando ainda pela Cachoeira da Fumaça.

Ao final foi até bom termos partido naquela hora pois quando já estávamos de saída começaram a chegar outros carros com mesas, cadeiras e som, o que transformaria aquela paz e desconstruiria nossa imagem de paraíso imaculado que até hoje temos em nossas mentes.

Rumamos então por uma estrada de terra com destino à Pedra Furada. Se estivéssemos sozinhos teríamos passado direto pela Cachoeira da Fumaça mas, felizmente, tínhamos conosco o Beto e a Dani, que já haviam feito o Jalapão em duas outras oportunidades e conheciam o local. Orientador por eles, estacionamos nossos carros ao passarmos sobre uma ponte de concreto sobre um pequeno riacho.

Uma surpresa maravilhosa!!! No meio dessa estrada super árida e após uma curtíssima trilha, encontramos uma queda d’água fortíssima e que, sem riscos, pudemos nos posicionar detrás, testemunhando todo o esplendor e toda a força da natureza. O volume d’água e a força da queda eram impressionantemente grandes e totalmente desproporcionais com a imagem que tivemos quando passamos na ponte sobre ela na estrada.

Fizemos um rápido almoço ali mesmo à beira da cachoeira e seguimos para a Pedra Furada. Pelas nossas contas estávamos super em cima no horário e por isso tivemos que acelerar naquela estrada de terra, pedra e areia para chegarmos a tempo de ver o poente. A estrada era linda, cortando paisagens infinitas e inúmeros riachos e erosões.

Chegamos lá justo no momento em que o sol começava a se por. Foi um espetáculo lindo que durou cerca de 5minutos no máximo mas que valeu a pena a correria da estrada.

Havia uma série de pessoas que estavam lá também (que haviam feito um outro percurso cuja grande parte do trecho era por asfalto) mas que possivelmente não tiveram a mesma sensação que nós tivemos ao contemplar aquele espetáculo. Isso porque, após percorrer cerca de 100km em estrada bruta de chão, aquela visão extraordinariamente inexplicável era muito mais gratificante. É mais ou menos comparar alguém que bebe um copo d’água em casa com alguém que faz o mesmo após terminar uma maratona. Os elementos são os mesmos mas a satisfação e o sabor tem outro valor.

Aliás, outro sabor impar que tivemos foi o fato de podermos fazer um camping selvagem ali mesmo na base da Pedra Furada. Quando todos se foram, levamos nossos carros para a base da montanha, ficando naquele lugar exclusivíssimo e lindíssimo. Nós armamos nossas barracas e passamos a noite por lá, jogando conversa fora enquanto matávamos algumas garrafas de vinho, tequila e comíamos mais um churrasco à beira daquele lugar.

Pela manhã tivemos que ficar um bom tempo dentro das barracas acordados já que havia um enxame de abelhas por perto. O silêncio imperou por pelo menos meia hora e só depois que o zunido delas se afastou foi que pudemos descer das barracas  e contemplar o sol raiando e invadindo aquele infinito de natureza. Refletido na pedra, o Sol deixou a Pedra Furada ainda mais bela.

Por fim, fomos ainda brindados com alguns rasantes de um trio de araras azuis que nos sobrevoaram algumas vezes.  Infelizmente só conseguimos fotografar as araras de muito longe mas nossas retinas e nossos ouvidos registraram muito bem aquele momento exuberante da natureza que parecia nos presentear pela aventura de dormir naquele local.

Nossa hora de partida havia chegado e tivemos que deixar mais esse paraíso do fantástico estado do Tocantins.  Na saída passamos em Ponte Alta, município que fica a uns 15km da Pedra Furada, para abastecermos nossas reservas de mantimentos e partimos em direção a Fazenda Triagro. Segundo nos disseram, a Fazenda pertenceu a Pablo Escobar e, no passado, eram cultivadas extensas plantações de maconha e coca. Nosso objetivo lá, entretanto, era conhecer a Cachoeira da Velha e a praia do Rio Novo.

No caminho para a fazenda paramos no Canion do Sussuapara. É uma formação geológica incrível que se abre no chão como uma fenda e por onde a água corre por centenas de metros até se perder a vista. As raízes das árvores parecem cordas que despencam do solo e recaem sobre nossas cabeças, quase que tocando o chão de tão longas que eram.

Além disso, uma queda d’água foi formando um orifício entre as pedras e criou uma cachoeira incrível dentro do cânion. Tivemos uma boa idéia de como é o underground daquela região visitando o Sussuapara.

Seguimos adiante e depois de penosos 116km de estrada bruta num calor infernal finalmente chegamos à fazenda. Se alguém tiver alguma noção do que é uma estrada ruim, esqueça. Aquele caminho de Ponte Alta do Tocantins até a Fazenda Triagro (uns 40km após a entrada para Mateiros) é o que acreditamos que fez nascer a expressão o Jalapão é bruto. Costelas infinitas, areia fofa e pedras gigantes são a base dessa estrada que nos fez ter a noção do quanto o Roots é forte e resistente.

Chegando na Fazenda Triagro fomos direto tomar um banho na praia do Rio Novo para nos refrescar e na sequência voltamos à base para armamos nossa estrutura do pernoite.

Depois de alguns dias armando e desarmando, já havíamos adquirido prática e com bastante agilidade e rapidez armamos nossas barracas e começamos a preparar nosso jantar. Mais uma vez fizemos um churrasco no porquinho do Beto e umas saladas. Fomos dormir cedo, extenuados da estrada.

No dia seguinte fomos visitar a Cachoeira da Velha. Um esplendor de cachoeira cercada por uma vegetação linda e relevo belísssimo. Tudo no Jalapão é superlativo em relação à exuberância de beleza e aquela cachoeira não foi uma exceção à regra.

Contemplamos a cachoeira e partimos então pela estrada em direção ao Parque das Dunas do Jalapão, que fica 35km antes de chegarmos a Mateiros, nosso destino do dia.

A estrada até a entrada do parque é tão bruta quanto a do dia anterior. Pegamos um atalho para encurtar a estrada e andamos por cerca de uns 20km no meio de um areião infindável e isolado de tudo e de todos. Foi uma experiência incrível. Tivemos a exata noção do quão insignificante somos diante daquela imensidão e daque infinito horizonte. Era um verdadeiro oceano de terra.

Mais umas dezenas de  longos e lindos quilômetros sacolejando pelas costelas das estradas do Jalapão para chegarmos ao nosso destino.

Finalmente entramos no Parque das Dunas. O caminho é um areião puro que só pode ser transposto por veículos 4×4. Atolamos por inexperiência em pilotar na areia e ficamos um tempo parados na trilha cavando para tentarmos sair daquela armadilha até sermos salvos por um guia local que nos puxou com uma cinta.

Continuamos na estrada até chegar a base da duna principal.  Estavamos cansados e ainda nervosos com o atolamento mas ao chegarmos na base da duna tudo passou rapidamente.

A visão era fantástica. Ao chegarmos ao topo e testemunharmos aquela paisagem tivemos a certeza que o Jalapão é bruto mas é lindo de morrer. Só mesmo vivendo aquilo para se ter noção do quão belo é. Nem a imagem mais linda que pudemos fotografar consegue transmitir a real beleza daquele espetáculo que a natureza criou.

Já ao anoitecer começamos todos a sair e, mais uma vez, atolamos no caminho de areião. Dessa vez não por nossa culpa, pois o carro que estava a nossa frente atolou e nós ficamos parados numa subida. Tivemos ajuda de muita gente mas foram o Ricardo e a Camila que resolveram de fato o nosso problema, puxando nosso Roots com a Gorda (a Defender deles). Eles subiram pelo mato que cercava a estrada, amarraram a cinta e nos puxaram facilmente daquele areião. Definitivamente a Defender é ainda mais bruta que o Jalapão !!!!!

Outros carros ainda estavam atolados por lá e depois que conseguimos sair do parque Ainda voltamos para resgatarmos outros veículos, que estavam parados no atoleiro de areia por horas depois do sol se por.

Feitos os devidos resgates rumamos para Mateiros por volta das 9hs da noite e onde pernoitamos no estacionamento da pousada Monte Videl (é assim mesmo que se escreve). A pousada pertence ao pai do Alessandro, que é guarda do parque das dunas e que havia nos ajudado no resgate dos outros carros. Ele havia dito que lá arrumaríamos um local para ficar e um banheiro limpo e, então, para lá fomos.

Fizemos, ainda, mais um resgate no caminho para Mateiros. Uma família se aventurou a enfrentar o Jalapão numa Ford Ranger 4×2 e estava atolada na areia da estrada.

Chegamos na cidade de Mateiros e fomos logo jantar para matar nossa fome. Na sequência fomos para a pousada para nos estabelecer.

Aquela altura já estávamos dispostos até mesmo a ficar em um dos quartos da pousada para tomarmos um belo banho quente e descansarmos devidamente nossos corpos, Mas, como o espírito é aventureiro (e também não tinha quarto disponível), armamos nossas barracas no estacionamento e fomos tomar um banho no banheiro coletivo, que pelo menos tinha água quente.

No dia seguinte tomamos um belo café da manhã e pegamos a estrada para a Cachoeira do Formiga, onde acamparíamos à noite. No caminho paramos no Fervedouro do Ceiça e na Vila de Mumbuca, ambas em comunidades quilombolas.

O primeiro contato com um fervedouro foi de tirar o fôlego. Por 20minutos poderíamos entrar naquela piscina de água morna, borbulhante e que exercia uma pressão impressionante do fundo da areia. Tentávamos afundar de todo o jeito mas não conseguíamos, a água que brotava do fundo nos empurrava para cima de novo. E isso tudo numa abertura pequenina no meio da mata e com um céu azul lindo. Era uma combinação de cores fantástica. Ficamos ali boiando por todo o tempo possível e ainda tivemos a sorte de, na saída, encontrarmos o próprio Ceiça que nos deu detalhes de como tudo acontece e nos contou um pouco da história das comunidades quilombolas da região, que foram formadas por escravos fugidos da Bahia e do Piauí há mais de 200 anos atrás.

De lá seguimos a estrada e paramos na Vila de Mumbuca, que é muito famosa pelo artesanato dourado. O capim dourado é o que gera o sustento digno daquela comunidade e nos impressionou a consciência que eles têm da sustentabilidade do meio ambiente na exploração desse recurso.

Fomos ao restaurante da Tonha, que nos havia sido recomendado pelo Ceiça na parada anterior. Era uma cabana simples, mas bem espaçosa e com uma mesa grande no centro e algumas redes presas nos pilares de sustentação do teto. A primeira coisa que fizemos, depois de nos apresentar foi deitar na rede e contemplar aquele telhado simples, rústico e de beleza única. Foi possível até tirar um cochilo enquanto a comida era preparada.

Comida simples mas muito bem feita pelas mãos da nossa Tia Tonha, que nasceu e viveu lá todos os 55anos de sua vida. Descendente direta dos escravos fundadores daquela comunidade quilombola, tia Tonha nos brindou ao final com uma aula de história e também nos contou todo o processo de colheita, armazenamento  e artesanato com capim dourado.

Devidamente alimentados, seguimos para o camping na cachoeira do Formiga, nosso local de pouso naquela noite. Bastante perto dali fizemos um belo rallye pela areia até chegar ao camping que fica na beira da cachoeira. O camping poderia ter uma estrutura melhor, dado o volume de pessoas que visitam o local, mas o que vale mesmo é a cachoeira fantástica que teríamos a nossa disposição dia e noite.

De coloração esmeralda e límpida, a água era deliciosa e além da queda que massageava nossos ombros, havia uma bela área de piscina e, ainda, um caminho entre as árvores que nos levava a uma outra piscina, mais calma e ainda mais verde.

Ficamos lá por muito tempo até voltarmos onde nossos carros estavam para abrirmos nossas barracas e iniciarmos nosso churrasco noturno com o nosso grande amigo e companheiro porquinho. A carne parecia que não terminava na viagem mas aquela foi a última carga. Assim como também do nosso estoque de queijo coalho e da tequila.

No dia seguinte, a partida foi nostálgica pois nos separávamos dos nossos amigos Ricardo/Camila, Roberto/Dani/Rafa. Eles seguiriam para a Chapada da Diamantina, a oeste da Bahia, e nós para a Chapada das Mesas, ao sul do Maranhão. Entre abraços, despedidas e galinhas que insistiam em entrar em nossos carros, subir no motor e até chocar ovos debaixo do chassi, dissemos um até breve e partimos para lados diferentes.

A companhia desses dois casais foi muito importante para a gente, iniciantes em overlanding. Eles nos ensinaram muito, nos deram muitas dicas e compartilharam boa parte de suas experiências em outras viagens. Gratidão, entre outros, é o sentimento que melhor se encaixa nessa nova relação de amizade que formamos.

Enfim, partimos para São Félix do Tocantins onde decidimos ficar por uns dois dias para diminuir o ritmo da viagem.  Como não temos prazo, queríamos armar uma base e curtir um pouco a nova viagem que começaria agora só com nós dois nos fazendo companhia.

Paramos então no Fervedouro Bela Vista, a 3km da cidade de São Félix e ficamos lá por duas noites, por recomendação do General Adriano que havíamos conhecido no camping da Cachoeira do Formiga.

O caminho para São Félix é um pouco melhor que aquele que havíamos experimentado até então nas estradas de terra do Tocantins. Mas um pouco melhor não significa que seja bom. Sacolejamos bastante até lá mas quando chegamos gostamos muito do que vimos. Uma cidade bem pequenina com muitas atrações e o camping Fervedouro Bela Vista.

O camping é uma pequena área explorada pela família que trabalha no local oferencendo hospedagem, comida e a própria visitação ao fervedouro.

De coloração impressionante, o Fervedouro era bem maior que o do Ceiça mas tinha menos pressão e também era mais visitado. Conseguimos curtir bastante e inclusive à noite, quando fomos beber um vinho branco à beira do fervedouro após nosso jantar.

No dia seguinte decidimos ficar mais um dia lá num dolce far niente. Organizamos a casa, tomamos vários banhos no Fervedouro, organizamos nossas fotos etc…

Acordamos cedo no dia seguinte mas nem conseguimos curtir muito o local pois a quantidade de pessoas que estavam chegando para conhecer o Fervedouro era enorme. Como estávamos em busca de paz e tranquilidade fugimos rapidamente e nos dirigimos a Novo Acordo, uma cidade maior e que poderíamos nos planejar melhor para o prosseguimento da viagem.

Após uma linda e árida estrada de terra que cortava o Jalapão entre Sao Felix e Novo Acordo, chegamos nessa cidade que, comparada aos 15 dias anteriores, era quase que uma cidade grande. A primeira coisa que fizemos foi parar num lava-jato para tentarmos limpar nosso Roots.

Ficamos cerca de 3horas limpando nosso carro-casa para tirar do pó que havíamos trazido do Jalapão. Queríamos lembranças vivas de lá mas a poeira definitivamente não era uma delas. Tiramos tudo de dentro do carro e limpamos armários, geladeira, panelas, potes, enfim, tudo que estava dentro do carro pegou poeira.

Ao final, já anoitecendo, terminamos o trabalho e conversando com a dona do local ela nos ofereceu para ficarmos ali mesmo é passar a noite. Aceitamos de bom grado e após um lanche na cidade voltamos ao local para um banho quente no próprio chuveiro elétrico do Roots e fomos dormir dentro do carro. Impressionantemente, as noites no Jalapão são frescas e até contém um friozinho gostoso.

No dia seguinte acordamos cedo e partimos do lava-jato antes mesmo deles chegarem e deixamos nosso cartão com agradecimentos à gentileza. Ficamos parados numa LAN-houve para atualizar o software do drones mas como a rede de sinal era fraca, mesmo ficando 3horas lá não conseguimos.

Decidimos partir para Palmas, capital do Estado, que ficava a 110km dali. Nosso plano não era conhecer a cidade mas já que estávamos tão perto resolvemos visitar a capital mais jovem do País. E valeu a pena. Uma cidade bem cuidada, sem trânsito e com apenas um cruzamento com semáforos (todos os outros são por rotatórias).

Os motoristas não deixaram boas impressões mas a orla da praia da Graciosa fez exatamente o oposto. À beira do rio Tocantins, um rio pouco conhecido mas de grande importância para o País (e que deságua no rio Araguaia), a cidade de Palmas soube aproveitar bem sua localização e fez de sua orla um local muito agradável, com praia, ciclovia, equipamentos de ginástica, quiosques, banheiros públicos etc…

Resolvemos ficar ali para vermos o por-do-sol na praia e depois decidimos passar a noite num hotel. Após 14dias de viagem achamos que era um bom momento para ficarmos num local onde pudéssemos tomar um banho demorado.

Ficamos uns 40minutos cada no banho e conseguimos tirar toda poeira que já havíamos retirado do Roots mas que ainda não havíamos feito em nós mesmos. Jantamos um delicioso caldo de galinha e um arroz com carne de sol e voltamos para o quarto. Com o Wi-Fi bom, atualizamos o drone, Instagram e também carregamos todos os equipamentos.

Estávamos prontos por volta do meio-dia do dia seguinte e partimos para Lajeado, uma cidade a 50km ao norte de Palmas e que fica à beira do lago formado pela represa no Rio Tocantins.

O trecho da rodovia TO-010 entre Palmas e Lajeado é de tirar o fôlego. Espremida entre a montanha e o lago, a estrada proporciona imagens lindíssimas e de encantar qualquer pessoa desse planeta. As formações rochosas da Serra do Lajeado, o lago de águas calmas, o céu sem nuvens e o verde da vegetação formavam um cenário de arrepiar.

Chegando em Lajeado, nos estabelecemos no estacionamento da praia do Segredo e fomos até a orla para ver o por-do-sol. Repousando nas águas calmas do lago e entre as ilhas artificialmente formadas pela represa, o poente dava um clima de litoral à cidade mas com a calma de uma cidade do interior, o que de fato é já que esse município jovem tem apenas 3mil habitantes que vivem basicamente da exploração ainda insipiente do turismo local.

Depois que todos saíram, preparamos uma jantar à beira do lago e desfrutamos a paisagem noturna com nosso vinho preferido.

Na manhã seguinte, antes dos visitantes de fim de semana chegarem e lotar a praia, pusemos nossas cadeiras na margem da praia e ficamos lendo nossos livros enquanto nossos pés eram calmamente banhados pela água fresca do rio.

Quando nos demos conta que o local estava lotando saímos correndo e pegamos a estrada. Ficamos 18horas naquele local delicioso mas devido ao movimento de fim de semana tivemos que abandonar para preservar nosso espírito de paz e tranquilidade.

No caminho ainda tentamos parar nas praias do Paredão e do Funil mas estava tão lotado que desistimos. Só na primeira tivemos coragem de descer para conhecer mas quando chegamos perto e vimos a quantidade de gente decidimos retornar. Só deu tempo de tirar uma foto para registrar a beleza do local. Já na segunda, do Funil, demos meia volta quando vimos a fila do estacionamento.

Seguimos então pela rodovia estadual até Miracema do Tocantins, quando pegamos o entroncamento coma rodovia federal BR153 (Belém-Brasilia) e então rumamos para o Maranhão. Já com o sol se pondo, decidimos para na cidade de Colinas do Tocantins e dormimos no estacionamento de uma pousada de propriedade de um simpático casal, Zé e Vilma, que nos acolheu super bem.

No dia seguinte demos uma volta na feira de domingo, na pracinha da cidade, onde os produtores locais e da região vendem seus produtos. Tinha de tudo e achamos muito bucólico e nostálgico ver aquele tipo de comércio ocorrendo depois de tanto tempo vivendo na cidade grande. Tomamos um delicioso copo de caldo-de-cana e voltamos para a pousada para organizar nossa partida com destino a Carolina, que será nossa base para exploração da Chapada das Mesas, segunda parte de nossa viagem que será contada na próxima postagem.

EnglishFrenchGermanItalianJapanesePortugueseSpanish