Explorando o Maranhão

Explorando o Maranhão

Explorando o Maranhão

Na sequência da região central nossa viagem seguiu para o norte, mais precisamente para a região nordeste do País. Após transpormos a fronteira do Tocantins chegamos no Município de Estreito, no extremo sul do estado do Maranhão, e de lá pegamos a rodovia que nos levou até a cidade de Carolina, base de nossa exploração na Chapada das Mesas.

A estrada até lá é linda. Passamos algumas vezes sobre o rio Tocantins e serpenteamos as formações rochosas do Parque Nacional da Chapada das Mesas. Foram 90km de pura beleza natural até chegarmos a entrada do nosso camping, Aldeia do Leão, a 15km da cidade de Carolina. 

Não pudemos deixar de notar que no começo da estrada vários quilômetros de mata nativa já haviam sido derrubados para plantações de eucalipto e outros tantos já se encontravam em preparação para o mesmo destino. Infelizmente o brasileiro ainda não aprendeu as lições vividas por outros povos e continua a desmatar sua flora sem preservar aquilo que de mais fabuloso esse País recebeu generosamente da mãe natureza.

Apesar disso, a área preservada do Parque ainda é imensa e o nosso camping ficava situado em meio à mata nativa, às margens de um pequeno rio. Com uma estrutura simples e sem luxos, porém bastante funcional, ficamos nesse camping por 2 dias.

Nesse período aproveitamos para dar uma organizada no carro e atualizar os registros de nossa viagem. Ao final do segundo dia nossos amigos Juliano e Karina, da Expedição 4 Elementos, chegaram. Eles estavam no Tocantins e foram nos encontrar no Maranhão.

Amigos desde o começo do ano, quando nos conhecemos em Araguari na fábrica de sonhos Victória MotorHomes, as afinidades e objetivos comuns rapidamente nos aproximaram e depois de muitos encontros em São Paulo finalmente estávamos cumprindo nossa promessa de nos encontrar viajando. Tanto a Karina quanto o Juliano são pessoas muito agradáveis e os papos fluem facilmente, fazendo com que o tempo passe rapidamente sem percebermos.

Fizemos um churrasco para celebrar o encontro e já pela noite, quando estávamos à mesa nos refrescando com várias latas de cerveja, ouvindo um bom jazz e conversando sobre as coisas boas da vida que esse tipo de viagem nos oferece, a Erli e o Bruno, proprietários do camping, nos convidaram a participar da festa de aniversário familiar que eles estavam organizando no camping.

O resultado da festa iremos omitir propositalmente e nos limitaremos a dizer que nos divertimos muito no karaokê após conhecemos diversas bebidas feitas na região, inclusive a Tiquira, uma aguardente à base da mandioca com teor alcoólico superior a 40% .

No dia seguinte, parcialmente refeitos da festa, lavamos nossas roupas no tanque do camping e imediatamente rendemos honras ao inventor da máquina de lavar. Definitivamente essa invenção não recebeu ainda o devido valor das pessoas…kkkk

Como a estrutura do carro preparado pela Expedição 4Elementos, apelidado de Zé Pequeno, é inversamente proporcional ao nome, nós utilizamos a lava-roupa deles para poupar um pouco nossas mãos e botar em dia o restante da roupa que vinha sendo usada desde o Jalapão.

Durante o café da manhã conjunto, ficamos batendo papo e definindo nosso trajeto dos próximos dias no Maranhão. Decidimos partir ainda pela manhã para um passeio pela trilha do Encontro das Águas, que termina na Cachoeira do Capelão. Esse local nos fora indicado pela Erli e é uma via alternativa para chegar ao mesmo local onde o resort Pedra Caída oferece passeios pelo triplo do preço.

O proprietário do local, conhecido como “Baixinho”, nos recebeu em sua propriedade e nos guiou até a cachoeira. Fazia um calor infernal e após uns 2km guiando sua pick-up por uma estrada de areia bem fofa chegamos ao local onde se iniciava a trilha. Havíamos pensado que a trilha fosse mais longa mas, na verdade, após cerca de 500 metros caminhando entre a mata e dentro do rio, chegamos a uma queda d`àgua com cerca de uns 30metros de altura.

A água brotava das pedras e corria por alguns quilômetros até chegar naquele paredão onde, após a queda, formava-se um poço de água límpida e fresca que tinha uma coloração impressionante devido ao seu fundo de pedra. Era um mix de azul e verde que só se perdia após a água escorrer por uma trilha sobre a areia e formar o rio sobre o qual caminhamos para chegarmos até ali.

Naquele calor e encantados pela beleza do local, ficamos um bom tempo por ali nos banhando. Após retornarmos, almoçamos um delicioso prato de carne de sol. O almoço foi extremamente simples mas muito bem servido e depois tiramos uma “siesta”. Antes de partirmos para Carolina ainda fomos no rio para mais um mergulho refrescante.

Na ida para Carolina paramos num ponto à beira da estrada para fazermos a trilha que nos levaria ao Portal da Chapada das Mesas. Trata-se de um mirante natural no topo de uma montanha, na forma de um buraco, e que permite ter uma visão ampla e geral do Parque. A trilha tem cerca de 1km mas durou pouco mais de 25 minutos para ser percorrida já que a subida é feita por um caminho de areia fofa e pedra.

A vista de lá era lindíssima. Pudemos, simultaneamente, ver o Sol e a Lua naquele céu azul infinito e, ainda, quase que a totalidade da Chapada das Mesas emoldurada pelo orifício formado na rocha. Realmente um prêmio para quem fez essa pequena trilha.

Na sequência seguimos na estrada até Carolina, onde resolvemos dormir na Pousada Casarão. Não sentimos confiança em abrir nossa barraca na cidade que era muito movimentada por conta do porto fluvial que conecta essa cidade à região norte do País e por onde passa muitos caminhões carregados de soja.

A decisão foi acertada pois os donos da Pousada Casarão eram um casal de senhores muito simpáticos e que além de serem muito bons de papo nos deram diversas dicas sobre locais de visitação na região. Eles nos contaram um pouco sobre a história de Carolina, que foi um importante centro comercial até a década de 60 e 70, quando entrou em relativa decadência com a inauguração da rodovia Belém-Brasília.

Enfim, descansados e devidamente alimentados por um farto café-da-manhã, seguimos com destino a cidade de Riachão, onde se localizam o Poço Azul e o Encanto Azul, cachoeiras muito recomendadas pelo simpático casal.

No caminho paramos em Itapecuru para conhecer as Cachoeiras Gêmeas, na antiga hidrelétrica mas ficamos muito pouco tempo porque buscávamos em nossos destinos locais mais rústicos e preservados pela natureza, o que definitivamente não era o caso ali.

Também pela mesma razão, ao chegarmos no Poço Azul desistimos da idéia de ficar por lá. O Poço Azul ficava dentro de um complexo hoteleiro que, além de nos cobrar o valor de R$60 por pessoa para visitação ainda queria nos cobrar R$180 para pernoitar com nossos carros no estacionamento. Definitivamente a frustração foi enorme ao perceber que após percorrermos 100km de asfalto mais 15km de estrada de terra aquele local estava muito longe daquilo que imaginávamos ser.

Nossa última esperança era, então, o Encanto Azul, que ficava 6km mais adiante e que, segundo os relatos que havíamos recebido, era bem mais rústico e menos alterado pelo homem.

Ao chegarmos lá finalmente nos sentimos plenos. O lugar, de fato, era muito mais natural e apesar de um grande numero de pessoas visitando naquele momento seríamos os únicos a partir do fechamento do local, às 17hs, já que nos autorizaram a pernoitar no local gratuitamente.  Era uma vista fantástica tanto por cima do Parque, na chegada, quanto lá no poço, lá embaixo, que meritoriamente foi batizado de Encanto Azul.

As imagens abaixo descrevem a beleza desse lugar de forma muito mais completa que qualquer palavra aqui usada.

À noite jantamos uma salada e cachorro quente e ficamos batendo papo com nossos companheiros de viagem a Expedição 4Elementos.

No dia seguinte apreciamos o sol nascer sobre o verde do Parque e fomos dar mais um mergulho naquele lago maravilhoso, dessa vez absolutamente sozinhos. Ainda era cerca de 7horas e pudemos curtir aquela água deliciosa por muito tempo sem sermos importunados por ninguém. Éramos os senhores absolutos daquele local magnífico.

Por volta das 9hs já tínhamos partido do Encanto Azul e percorremos todo caminho de volta até a cidade de Estreito, na entrada do Maranhão, para então seguirmos pela rodovia Belém-Brasília até o norte do Estado. Nosso destino era a região dos Lencóis Maranhenses, onde havíamos planejado ficar por ali alguns dias.

O caminho era longo, mais de 700km de onde estávamos, e como por segurança não imprimimos uma velocidade elevada em nosso Roots – e tampouco a estrada era boa o suficiente para isso – fizemos essa viagem em duas etapas. O primeiro trecho foi de retorno de Riachão até à rodovia e mais um percurso até a cidade de Buriticupu, depois de Imperatriz. Nesse município, encostamos o carro no posto Dois Irmãos, à beira da rodovia e dormimos ali mesmo. O segundo trecho foi de lá até a cidade de Santo Amaro, já nos Lençóis Maranhenses.

O primeiro trecho foi mais longo, porém tranquilo pois a estrada era relativamente boa. Os únicos senões foram a quantidade de caminhões e a imprudência de alguns deles, que fizeram a viagem um pouco mais cansativa do que seria normalmente. 

Já o segundo trecho, embora mais curto, foi mais penoso. Apesar de mais descansados e de começarmos na estrada ainda com o sol raiando, o problema foi que em Santa Inês, cerca de 160km de onde havíamos partido naquela manhã, os moradores resolveram fazer um buraco na estrada para protestar sobre um atropelamento que havia ocorrido dias antes.

O resultado disso foi que tivemos que pegar um atalho de cerca de 36km em estrada de terra (Estrada do Barro Vermelho) em Tufilândia para sairmos depois de Santa Inês. Não éramos os únicos e, portanto, a quantidade de pó e poeira que pegamos na estrada cruzando com carros, caminhões e ônibus que faziam o mesmo atalho deixou nosso Roots novamente com a coloração bem avermelhada, similar a do Jalapão. Não fosse uma chuva providencial que pegamos na estrada após Santa Inês, teríamos parado em outro lava-carro para dar um trato no nosso companheiro de viagem.

Enfim, na tarde da 6ª feira finalmente chegamos em Santo Amaro, coração e porta de entrada dos Lençóis Maranhenses. Diferentemente de Barreirinhas, cidade vizinha e com mesma característica de ser portal do Parque, a cidade é calma, organizada e ainda não foi destruída pelo turismo irresponsável e de massa.

Ficamos 5dias em Santo Amaro utilizando a estrutura da Pousada Rancho das Dunas, cujos proprietários haviam convidado o Juliano e a Karina depois de visitar o instagram do Expedição 4 Elementos. Como estávamos viajando juntos, fomos todos para lá.

A estada nesses 5 dias foi irrepreensível. O proprietário, Alex, sua esposa, Meire, e os filhos, Neto e Vinicius, foram extremamente gentis e receptivos e a todo momento nos ofereciam tudo que precisávamos para ficarmos confortavelmente instalados por lá. A pousada é um charme e muito bem estruturada e certamente qualquer um que lá se hospede ficará extremamente satisfeito.

Nós, entretanto, estávamos hospedados em nossos próprios carros e estacionados na rua de fronte à pousada, mas frequentemente usávamos a infraestrutura dela como suporte. O prazer da companhia dos donos da pousada foi tamanho que praticamente jantamos juntos todos os dias.  Numa noite eles fizeram um delicioso peixe com arroz de cuxê, no outro nós fizemos uma noitada de pizzas com o formo portátil do Juliano e da Karina e ao longo desses dias batemos muito papo e conhecemos bastante os bastidores dessa cidade promissora em termos de turismo ecológico.

Além disso, interagimos bastante com uma família de cariocas que lá estavam hospedados e cujo filho mais velho, Miguel, de 8anos, virou nossa companhia certa de todos os dias. Muito interessado em conhecer os carros e muito curioso, o Miguel nos fez companhia em banhos de rio, no café da manhã, na pizza, enfim, nosso “mascote” foi muito querido e muito simpático e adoramos tê-lo conhecido.

Em um dos dias de nossa estada em Santo Amaro fizemos um passeio pelos Grandes Lençois e fomos almoçar na casa do Louro, um nativo que mora dentro do Parque dos Lençóis numa região chamada Lavado do Sérvulo.

No bate papo pós-almoço perguntamos ao Louro se ele poderia nos receber em sua propriedade por alguns dias. Estávamos procurando um local bem rústico que nos afastasse da zona de turismo. Apesar da cidade ainda ser bem pouco desenvolvida e não ter turismo de massa, nós queríamos ainda mais rusticidade e experimentar um pouco de vida nativa. Ele prontamente aceitou e combinamos que na 4ª feira iríamos pela manhã para o Lavado nos hospedar no quintal de sua casa.

Na 3ª feira pela manhã nossos amigos Karina e Juliano começariam sua viagem de regresso a São Paulo e após uma semana juntos no Maranhão nos despedimos deles. Ficamos o dia todo lendo livro na beira do Rio Alegre e demos uma volta pela cidade. À noite ficamos batendo papo como Alex e após jantarmos um delicioso prato de camarão ao leite de coco com arroz cuxê, fomos dormir.

No dia seguinte, partimos bem cedo para a encontrar o Louro na estrada, onde havíamos combinado como ponto de encontro. Ele nos guiaria por uma trilha até o Lavado, já que havíamos decidido não dirigir pelas dunas com medo de atolar o carro, apesar desse caminho ser mais curto e ter menos obstáculos que a trilha que faríamos.

Para se ter uma noção da trilha, ela tem cerca de apenas 30km mas começamos às 9hs e terminamos lá pelo meio-dia. Passamos por areia fofa, lama, rios, barro, enfim, quase todos os tipos de terreno. O Roots nunca havia sido tão exigido. Logo no começo, com areia muito fofa tivemos que baixar a calibragem dos pneus. O carro estava sambando muito e baixamos a pressão dos pneus dianteiro e traseiro de 40 e 42 libras, respectivamente, para 19 e 25 libras. O carro ganhou bastante aderência mas mesmo assim foi bem exigido ao longo de toda a trilha.

O caminho além de ser cheio de aventura foi também repleto de pontos de interesse. Tanto sob o ponto de vista de beleza natural quanto sob o aspecto social o caminho nos deu uma visão que ainda não tínhamos da região. Paramos para tomar um cerveja, comprar umas galinhas, bater um papo com vizinhos e pegar a esposa e filha do Louro, que estavam na escola próxima a sua casa.

Percebemos que os povoados ali são muito simples mas não se vê miséria em nenhum lugar. As vilas são repletas de pessoas de vidas modestas, sem luxos, sem facilidades, mas que vivem em um meio social bastante equânime e om uma solidariedade incrível. Certamente, elas são muito mais felizes que boa parte da população que vive aglomerada em pequenos espaços na cidade grande e nem sequer conhecem seus vizinhos.

Logo ao chegarmos na casa do Louro almoçamos um peixe frito com arroz, feijão e salada. Muito simples mas bem gostoso, principalmente depois das quase 3horas de trilha que havíamos feito. Após o almoço caímos na rede e tiramos não um cochilo, mas um sono bem pesado e gostoso. Acordamos no meio da tarde e ficamos batendo papo sobre aquele local e a beleza de estarmos praticamente num refúgio do “mundo moderno”. 

O local onde o Louro mora com sua família é simplesmente magnífico. Dentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, seu terreno fica num pedaço de areia, recoberto por uma vegetação rasa e rodeado por palmeiras, cajueiros e pequenas lagoas d`água. Além de sua casa, no meio desse terreno, fica uma construção de alvenaria bastante ampla e aberta, com teto de palha de buriti e com um redário e mesas para almoço.  Ao redor são criadas galinhas, porcos, patos e cabras que ele próprio abate para servir aos visitantes.

O Lavado do Sérvulo é um local de acesso muito restrito e o caminho pelas dunas do Parque somente é autorizado pelo ICM-Bio aos nativos. Realmente é um lugar bem “exclusivo” que tivemos a fortuna de conhecer.

Ficamos por lá 1 semana inteira desfrutando daquele paraíso sem qualquer compromisso. Passamos os dias lendo livros, alimentando as galinhas e os porcos, ralando coco, colhendo ovos, fazendo bolo de tapioca, batendo papo, passeando nas dunas e lagoas, enfim fazendo tudo aquilo que queríamos no tempo que desejávamos e sem qualquer sinal de internet e celular. Até mesmo a energia elétrica que a casa possuía nós dispensávamos à noite para ficar contemplando as estrelas no céu e tomando uma ou outra garrafa de vinho.

Todos os dias comemos  muito bem e com cardápio variado. Além de um café da manhã com frutas, almoçávamos peixes, patos, galinhas, cabrito… tudo feito ali mesmo com a simplicidade e a boa vontade do Louro e de sua esposa, Eucilene, e ainda na companhia de sua filha mais nova, Ana Carolina.

Em um dos finais de dia, após acordamos do sono da tarde, fomos com o Louro de quadriciclo até uma casa vizinha para entregar óleo diesel.  Era a casa de uma família simples que vivia bem no meio do Parque Nacional dos Lençóis, à beira do Rio Alegre, e o combustível serviria para abastecer o gerador, que fornecia energia elétrica para eles.

Já era noite quando chegamos por lá. Ficamos impressionados com a simplicidade das instalações e do modo de vida deles, assim como pela satisfação deles por terem seu pedaço de terra, ou melhor, de areia, e os meios para viver. Embora trabalhassem duro o dia todo e não terem facilidade ou conforto algum, nos pareceram de cara uma família bastante satisfeita.

A família vivia basicamente da criação de caprinos, da produção de farinha e da pesca no rio. Gente muito simples e trabalhadora, assim como o Louro e sua família e a grande maioria da população nativa. Ficamos um bom tempo por lá conversando e entre outras coisas aprendemos como se faz a farinha de mandioca de uma forma artesanal, o que é ainda atividade comum no local e uma tradição aprendida das gerações anteriores, provavelmente, aprendida com os índios há séculos.

Partimos de volta já no completo breu da noite e pelas dunas enormes daquele parque. O Louro, como nativo, conhece muito bem a região e no caminho de volta ficamos sentados nas dunas por um bom tempo observando o céu, as estrelas e os longínquos pontos de luz emanados pelas cidades de Santo Amaro, Barreirinhas e São Luiz, que distavam dezenas e centenas de quilômetros dali. Realmente, uma experiência única que só mesmo por conta de sua hospitalidade pudemos aproveitar.

Esses suaves prazeres eram exatamente o que procurávamos em nossa viagem. Não apenas as belezas naturais facilmente acessíveis aos turistas regulares, mas também a beleza das experiências vividas sob a perspectiva de locais, que apenas alguns viajantes conseguem ter e de forma muito limitada. Havíamos alcançado ali parte dos objetivos de nossa viagem: conhecer lugares novos e vivendo neles os prazeres simples da vida, como por exemplo bater um papo na rede sem hora para terminar, ler um livro por horas sentindo a brisa do dia, apreciar o pôr-do-sol e o cintiliar das estrelas à noite……

Nosso profundo muito obrigado a essa família por nos oferecer sua casa e nos proporcionar essa experiência tão gratificante e única. Guardaremos em nossos corações com todo o carinho o enorme bem que vocês nos proporcionaram.

Infelizmente nossa viagem tinha que continuar e após um período de 12 dias nesse paraíso dos Lençóis Maranhenses nos despedimos nos despedimos com muita emoção do Louro, Eucilene e Carol e partimos em direção ao nosso próximo destino, São Luis, capital do Estado do Maranhão. O Louro nos guiou pela trilha de volta com seu quadriciclo e nos deixou na Barra, de onde seguimos caminho até São Luís.

No caminho, para matar a fome, paramos em Axixá para tomar uma jussara, a forma local como os maranhenses chamam o açaí, chegando à capital por volta das 15horas. Lá encontraríamos um amigo da Samira, Rodrigo, que estava radicado em São Luis fazia 3anos.

Ele havia visto a história da viagem pelo Instagram e sabendo que estávamos próximos, ofereceu seu apartamento para ficarmos por uns dias. Em princípio não iríamos passar lá mas como estávamos próximos e ele é um amigo querido, resolvemos prestigiá-lo e também conhecer a capital maranhense.

A previsão inicial era ficarmos 2 dias mas a estadia acabou se estendendo por mais alguns e acabamos ficando 5. E, ao longo desses dias, a companhia do Rodrigo e de sua namorada, Clarinha, foi muito prazerosa. Todos os dias fazíamos alguma coisa pela cidade e ainda tivemos a oportunidade de conhecer com eles alguns locais interessantes como Raposa, Alcantâra, o centro histórico da cidade, o bar do Leo no mercado central e jogar bastante frescobol com na praia curtindo o pôr-do-sol.

Ao fim, acabamos nos surpreendendo com a cidade mas infelizmente pudemos testemunhar ocularmente, mais uma vez, o quanto o Brasil desperdiça todo o seu potencial.

A cidade de São Luís contém uma história e uma cultura muito rica mas tudo isso é sub-valorizado pelos administradores que não preservam o patrimônio histórico da cidade e nem investem na melhora das condições para que a cidade seja mais atraente e interessante aos viajantes. Nem mesmo os próprios cidadãos fazem questão de preservar e valorizar sua cidade, sujando demasiadamente as ruas e os locais de interesse da capital.

Outro exemplo de desleixo é Alcântara, uma cidade linda e praiana que ainda mantém muito viva a arquitetura da época colonial.  As ruinas, o casario e as igrejas, o porto, a ladeira do Jacaré, as ruas de pedras e a culinária fazem dessa cidade uma das mais bucólicas e interessantes que conhecemos. O potencial turístico dessa cidade certamente deixaria Tiradentes e Paraty com inveja mas ela é praticamente desconhecida de grande parte da população brasileira por total ausência de investimento das autoridades e de iniciativa dos empreendedores locais. Se bem que, do nosso ponto de vista, para melhor preservar essa belíssima cidade, talvez seja melhor que ela permaneça esquecida até que tenhamos aprendido a explorar sem destruir.

Enfim, nossa parada em São Luis foi uma grata surpresa e a companhia dos nossos anfitriões e seus amigos demasiadamente agradável. Tanto assim que, seguindo nosso planejamento, os convidamos para nos encontrar no próximo destino, o litoral do estado do Piauí, que dista pouco mais de 350km dali

EnglishFrenchGermanItalianJapanesePortugueseSpanish